
Um novo capítulo da disputa pelo Governo do Acre ganhou contornos explosivos nesta segunda-feira, 28. O senador e candidato Alan Rick (Republicanos) acusa integrantes da campanha de Mailza Assis (PP) de terem procurado, em Valparaíso de Goiás, Francisley Souza — personagem de um antigo episódio envolvendo o senador no Aeroporto de Brasília — e de terem pago R$ 150 mil para que ele voltasse a relatar o caso em uma nova peça eleitoral contra sua candidatura.
Até o momento, não há comprovação independente publicada sobre o suposto pagamento. O senador afirma, porém, que ouviu a informação diretamente de Francisley durante o encontro no aeroporto e passou a questionar quem teria articulado e financiado a participação do homem na nova propaganda eleitoral.
O episódio acontece no mesmo dia em que o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) determinou o prosseguimento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada contra a chapa de Mailza Assis, em processo que questiona a documentação acadêmica apresentada pela candidata em seu registro eleitoral.
“Foram buscar esse rapaz em Valparaíso”
Ao comentar a reaparição de Francisley na propaganda, Alan Rick fez uma acusação direta sobre a origem do personagem utilizado no vídeo.
“Foram buscar esse rapaz em Valparaíso de Goiás para mentir a troco de R$ 150 mil.”
A declaração, atribuída ao senador, é o ponto mais grave da nova ofensiva política. O valor, entretanto, não foi comprovado publicamente até o momento.
A eventual comprovação dessa acusação dependeria de elementos objetivos, como comprovantes de transferência, contratos, mensagens, registros contábeis ou outros documentos capazes de demonstrar a origem e o destino dos R$ 150 mil.
Francisley reaparece na propaganda de Mailza
A campanha de Mailza levou nesta segunda-feira ao horário eleitoral um novo depoimento de Francisley Souza, funcionário de aeroporto envolvido em um episódio com Alan Rick ocorrido em Brasília, em 2023.
Na peça, Francisley afirma ter sido “oprimido, exposto e humilhado” e relata consequências que atribui àquele episódio e à posterior divulgação das imagens. A propaganda também apresenta documentos médicos e associa o caso às dificuldades pessoais e profissionais relatadas pelo trabalhador.
O episódio original ganhou repercussão depois que imagens da discussão entre Alan Rick e o funcionário circularam nas redes sociais.
Na nova propaganda, Francisley volta a apresentar sua versão dos acontecimentos e afirma que perdeu o interesse em seguir carreira na aviação. Entre as declarações utilizadas pela peça estão relatos de que o episódio teria afetado seus planos profissionais.
É justamente esse personagem que, segundo Alan Rick, teria lhe feito a revelação sobre os supostos R$ 150 mil.
A história dos R$ 150 mil ainda precisa ser comprovada
A acusação feita pelo senador precisa ser separada daquilo que já está documentado sobre o vídeo.
Está confirmado que Francisley participou da nova peça eleitoral da campanha de Mailza e voltou a relatar publicamente o episódio envolvendo Alan Rick.
É uma afirmação de Alan Rick que Francisley teria recebido R$ 150 mil para fazer acusações contra o candidato.
Ainda não está comprovado publicamente quem teria feito o pagamento, de onde teriam saído os recursos, quando o dinheiro teria sido entregue e qual teria sido exatamente a finalidade da suposta contratação.
Essa distinção é fundamental para compreender o tamanho da acusação sem transformar uma declaração de campanha em fato comprovado.
Valparaíso aparece também na controvérsia do diploma
A referência feita por Alan Rick a Valparaíso de Goiás ganha outro significado dentro da atual disputa eleitoral.
É no município que está localizada a instituição relacionada ao certificado de Pedagogia apresentado por Mailza e que passou a ser questionado na AIJE movida pelo candidato.
Reportagem publicada pelo Portal do Rosas afirma que documentos relacionados ao Instituto de Ciências Sociais e Humanas (ICSH/CESB) integram o processo e que existem registros de procedimentos anteriores envolvendo instituições relacionadas à oferta de cursos. Essas informações, contudo, não constituem, por si só, prova de falsidade do certificado apresentado por Mailza.
TRE-AC coloca a documentação sob investigação
No processo nº 0601100-94.2026.6.01.0000, o corregedor regional eleitoral, desembargador Samoel Martins Evangelista, registrou que a ação não pretende simplesmente reabrir uma discussão sobre a condição de elegibilidade relativa à alfabetização.
Segundo a decisão, o objeto da investigação é a alegada utilização consciente de documento falso na instrução do registro de candidatura.
O magistrado considerou que a petição inicial apresenta fatos, indícios, provas e circunstâncias e não identificou, naquele momento, motivo para rejeitar a ação de forma liminar.
O próprio documento judicial ressalta que a controvérsia será submetida ao contraditório e que pedidos de informações ao Ministério da Educação, ao ICSH e à eventual instituição responsável pelo registro acadêmico serão avaliados posteriormente.
Ou seja: o TRE-AC não declarou que o certificado de Mailza é falso. A decisão apenas permite que a investigação prossiga e que as alegações sejam submetidas à defesa e à produção de provas.
A campanha agora trava duas batalhas
O episódio coloca a disputa entre Alan Rick e Mailza em duas frentes simultâneas.
Na Justiça Eleitoral, o candidato questiona a documentação apresentada pela adversária e conseguiu o prosseguimento da AIJE.
Na propaganda eleitoral, Mailza recupera um episódio ocorrido em 2023 e coloca novamente Francisley no centro da campanha.
Agora, Alan Rick reage afirmando que o próprio homem que aparece no vídeo teria contado a ele que recebeu R$ 150 mil para participar da ofensiva.
Se a acusação for acompanhada de documentos, o caso poderá ganhar uma dimensão completamente diferente. Será necessário esclarecer quem teria pago, quem teria contratado, de onde vieram os recursos e qual teria sido o papel de cada envolvido.
Por enquanto, entretanto, essa parte da história permanece como uma acusação feita publicamente por Alan Rick.
Uma campanha cada vez mais judicializada
O embate revela como a eleição para o Governo do Acre entrou em uma fase na qual propaganda, acusações pessoais e disputas judiciais passaram a caminhar praticamente lado a lado.
De um lado, Mailza utiliza o depoimento de Francisley para reabrir uma ferida política envolvendo Alan Rick.
Do outro, o senador leva à Justiça questionamentos sobre a documentação acadêmica da candidata e, agora, afirma que o personagem da propaganda teria revelado um suposto pagamento de R$ 150 mil. São acusações distintas, com provas e estágios de apuração diferentes.






