
Um conselho de amigo para quem já faz história no Acre
A política acreana vive um momento emblemático. Pela primeira vez, vemos uma chapa majoritária composta 100% por mulheres, com Mailza Gomes e Jéssica Sales. Isso, por si só, já é uma conquista histórica que merece o respeito de todos os acreanos, independentemente de posicionamento partidário. O Mâncio Lima em Foco mantém seu compromisso com a imparcialidade e o jornalismo responsável, mas isso não nos impede de observar os movimentos políticos e oferecer uma análise franca sobre o cenário local.
Nas últimas semanas, a assessoria de comunicação tem batido excessivamente na tecla de que toda e qualquer crítica direcionada à vice-governadora tem como motivação o fato de ela ser mulher. É compreensível que, em um ambiente historicamente masculino, existam episódios em que o preconceito tente desqualificar a presença feminina na política. O direito de se defender e de apontar machismo é legítimo e deve ser exercido quando couber. O problema surge quando essa passa a ser a única narrativa defensiva utilizada pela equipe de comunicação. Tudo em excesso faz mal, e até mesmo uma pauta legítima, quando repetida de forma exaustiva, perde a força e pode gerar o efeito oposto ao desejado.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o eleitorado do Acre é dividido de forma muito equilibrada entre homens e mulheres, com uma leve maioria feminina que representa cerca de 52% dos votantes, enquanto os homens somam aproximadamente 48%. Ignorar ou afastar quase metade do eleitorado estadual por conta de uma comunicação reativa não é uma estratégia inteligente. Conversando nos bastidores com militantes e apoiadores que preferem não se identificar, ouvimos relatos preocupantes. Pessoas que acompanham o projeto confessam que o tom adotado pela assessoria tem soar como um certo “vitimismo” e que isso já faz alguns simpatizantes reconsiderarem o apoio.
O papel de uma coluna de opinião é trazer luz aos fatos e oferecer uma perspectiva analítica sem paixões partidárias. Mailza não precisa focar em justificativas de gênero diante de cada questionamento. Sua trajetória, seu trabalho e sua posição atual já atestam sua representatividade. A assessoria precisa entender que a política se faz construindo pontes com a sociedade como um todo. Os homens acreanos também querem ouvir propostas claras para a saúde, segurança, economia e infraestrutura, e precisam se sentir integrados ao debate público.
Fica aqui a reflexão sobre os caminhos da comunicação política no estado. Quem ocupa um espaço de destaque na vida pública não precisa se apegar a ruídos do dia a dia nem permitir que sua equipe transforme todo debate institucional em uma questão restrita ao gênero. Que a assessoria consiga falar com todos os acreanos, homens e mulheres, de forma ampla e equilibrada. Afinal, a boa política exige somar forças e caminhar em diálogo com toda a população.






