
A política do Acre em 2026 passa por uma das maiores reconfigurações partidárias e de alianças na história. Com a desincompatibilização de Gladson Cameli em abril para disputar o Senado, a governadora Mailza Assis assumiu o comando do Palácio Rio Branco enfrentando um teste de fogo: segurar a base governista que, até o final de 2024, contava com o apoio consolidado das principais prefeituras do estado.
No entanto, à medida que a disputa pelo governo estadual se afunila, o desenho que se vê nos bastidores é de esvaziamento. Prefeitos que antes orbitavam o núcleo palaciano começam a migrar para a pré-candidatura do senador Alan Rick, do Republicanos, que hoje lidera as pesquisas de intenção de voto. Entre analistas, a leitura é que muitos políticos estão subestimando o potencial de Mailza, sob o argumento de que ela herdou o mandato e nunca enfrentou as urnas como cabeça de chapa, já que chegou ao Senado como suplente de Gladson e depois ocupou a vaga de vice.
É no meio desse pragmatismo eleitoral que a postura do prefeito de Mâncio Lima, Zé Luiz ganha o respeito do eleitorado que valoriza a palavra na política.
Ao contrário de colegas que recalcularam a rota de olho nas pesquisas, Zé Luiz mantém-se firme na base de Mailza Assis. A decisão não se deve apenas a fidelidade partidária, já que ambos são do Progressistas, mas uma histórica relação de lealdade e amizade de longa data com Gladson Cameli. Naturais de Cruzeiro do Sul, Gladson e Zé construíram uma relação que vem do meio empresarial e se consolidou na vida pública. Zé Luís, conhecido por comandar uma das maiores e mais tradicionais empresas de tecnologia e informática do Acre e maior do Juruá, trouxe do setor privado para a gestão pública a premissa de que acordos firmados devem ser cumpridos.
O peso desse apoio é gigantesco quando analisamos o isolamento do governo nas maiores cidades do estado. Após as eleições municipais de 2024, o governo comemorava vitórias estratégicas. Na capital, a máquina estadual e o Progressistas abriram mão de candidatura própria para indicar Alisson Bestene como vice na chapa de Tião Bocalom, garantindo uma vitória expressiva no primeiro turno contra Marcus Alexandre. No interior, o PP havia conquistado polos como Cruzeiro do Sul com Zequinha Lima, Tarauacá com Rodrigo Damasceno e Sena Madureira com Gerlen Diniz.
Hoje, o panorama mudou completamente. Em Rio Branco, Bocalom se afastou do cargo para tentar o governo pelo PSBD, e Alisson assumiu o comando da capital declarando apoio ao “Velho Boca”. No Juruá, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, oficializo sua aproximação polêmica com Alan Rick. Em Tarauacá, os bastidores indicam o mesmo caminho, evidenciado recentemente por registros de conversas ao pé do ouvido entre o senador e o prefeito Rodrigo Damasceno sobre vitória em primeiro turno. Feijó reduto do Republicanos, também alinhou seus ponteiros com a oposição, e Sena Madureira com Gerlen não foi diferente.
Nesse redesenho demográfico, restaram apenas Brasiléia, sob o comando de Carlinhos Pelado, e Mâncio Lima para sustentar o projeto de reeleição da governadora nas cidades de maior numero populacional.
Ao fechar as portas para o governismo de conveniência, Zé Luiz se isola da debandada geral e se posiciona como o principal avalista de Mailza Assis no Vale do Juruá. Sendo apontado por institutos de pesquisa como o prefeito mais aprovado do Acre, o gestor de Mâncio Lima mostra que o capital político acumulado em sua gestão serve para dar peso e credibilidade às suas escolhas. Na política acreana, onde o pragmatismo costuma engolir as alianças, a coerência de Zé surge como uma exceção que fortalece sua imagem de homem de palavra.






