
Alguns dizem que a vela se apagou de vez, outros apostam em um ressurgimento “como uma fênix”, mas neste domingo (2), o PT no Acre sofreu a mais amarga derrota de sua história. O partido que governou o estado por 20 anos não elegeu um único representante nas eleições de 2022.
Somente por ter estado nessas eleições em federação com o PCdoB, é possível dizer que do grupo, apenas Edvaldo Magalhães foi eleito, mas a tendência é que cada qual volte a atuar independentemente. Para a Aleac, nomes como Daniel Zen e Cesário Braga não conseguiram a votação necessária para entrar.
Para a Câmara, Leo de Brito ficou de fora ao receber 12 mil votos, menos da metade da votação recebida por Socorro Neri, hoje no Progressistas, que foi alvo de um deboche do ex-prefeito Marcus Alexandre após as eleições de 2020, que usou a música “Vou Festejar” em suas redes sociais, para zombar de sua derrota. Esse ano, Marcus, dessa vez como vice, foi derrotado novamente em primeiro turno para Gladson Cameli – Socorro Neri, com sua nobreza, não usou a música para retribuir o deboche.
Não restou dúvida, o que faltou para o PT foram os pés no chão. Quando Jorge Viana saiu derrotado das eleições 2018 ao Senado, ainda era visto como o nome mais forte da sigla e sinal de esperança para seus filiados. A esperança, no entanto, caiu. Jorge recebeu apenas 24,21% dos votos, o que dá uma grande indicação de que sua força eleitoral se rompeu. Ao Senado, Nazaré Araújo não chegou aos dois dígitos de porcentagem, terminando com 9,60%. Vale também lembrar que o partido não tem representantes na Câmara de Rio Branco.
Jorge poderia, assim como Flaviano, desistir das campanhas majoritárias e tentar seguidas reeleições a deputado federal. Mas até nisso o jogo mudou, o eleitorado acreano optou por uma decisão inédita: renovar as 8 cadeiras na Câmara Federal, todos membros de partidos de direita. É fácil até dizer que o PT, com Jorge, ainda teria forças para tentar a prefeitura de Rio Branco em 2024 e aproveitar a baixa popularidade de Bocalom, mas uma pedra no caminho seria Mara Rocha. Sem cargo a partir do ano que vem pela derrota ao Governo, é de se esperar que a deputada tente o executivo da capital e mesmo que tenha ficado em 3º lugar nas eleições, tende a herdar mais votos de Gladson do que Jorge.
Outro problema a ser enfrentado seria um outro candidato que também ficará sem cargo no ano que vem e tem sua base dentro da esquerda: Jenilson Leite. Uma união entre os dois lados poderia fortalecer uma candidatura estilo “Frente Popular”, mas a tendência é que o médico avalie a situação e una suas forças com coligações mais ao Centro.
Se vai conseguir se reerguer um dia, é uma incógnita. Mas hoje é possível dizer que o PT no Acre está sepultado.






