
A Avenida Japiim foi tomada por luzes, fé e um forte clamor por justiça na noite da última segunda-feira (9), durante a realização da Caminhada Luminosa em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A mobilização ocorreu em Mâncio Lima e reuniu moradores da zona urbana e rural em um ato de conscientização contra a violência doméstica e o feminicídio.
A ação foi promovida pela Prefeitura de Mâncio Lima, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Setor de Políticas para as Mulheres do Gabinete do Prefeito, em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) e com o apoio da Paróquia de São Francisco de Assis, através do grupo Terço dos Homens, além da Câmara de Vereadores, Polícia Militar e outras secretarias municipais.
O prefeito Zé Luiz destacou que a caminhada representa a união da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. Segundo ele, é necessário fortalecer ações de conscientização para que casos de agressão e feminicídio deixem de acontecer no município.
O percurso foi marcado por momentos de reflexão e espiritualidade. Durante a caminhada, participantes carregaram velas e utilizaram a luz dos celulares para iluminar o trajeto até a Praça São Sebastião, onde ocorreu o encerramento da programação. No caminho, foram feitas orações e reflexões sobre o papel da sociedade na proteção das mulheres.


O pároco Pe. Sebastião Viana conduziu um momento de oração com a reza do terço e a proclamação do evangelho do dia, reforçando a importância da fé e da união no combate à violência.
A Secretaria Municipal de Assistência Social também destacou a importância do apoio às mulheres vítimas de violência e do incentivo à denúncia. Atualmente, cerca de 30 mulheres em Mâncio Lima possuem medidas protetivas. Segundo a equipe técnica, muitas acabam desistindo da medida por medo ou dependência emocional.
De acordo com a secretária Ajucilene Gonçalves Mota, o trabalho da assistência social inclui acompanhamento psicológico e ações de fortalecimento da autoestima para ajudar as vítimas a romperem o ciclo de violência.
Outro desafio enfrentado é a dependência afetiva e financeira, que muitas vezes impede que as mulheres denunciem os agressores. A assistência social busca orientar e apoiar essas vítimas para que saibam que não estão sozinhas.
Dados nacionais mostram que a violência contra a mulher ainda é um problema grave. No Brasil, quatro mulheres são assassinadas por dia por motivo de gênero. No Acre, foram registrados 14 casos de feminicídio em 2025, um aumento de 75% em relação ao ano anterior.
Durante o evento, representantes da Semulher também apresentaram o trabalho da Casa de Referência da Mulher Brasileira no Juruá, que oferece atendimento psicológico, social e orientação para mulheres em situação de violência.
As atividades de conscientização continuarão ao longo de todo o mês de março. A Coordenadoria Municipal da Mulher, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, realizará palestras em escolas, rodas de conversa com jovens e adolescentes e encontros com homens para discutir os diferentes tipos de violência contra a mulher.
Também estão previstas ações nas comunidades rurais com atendimentos integrados das secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social. Em parceria com a Semulher, o Senac e o Ônibus Lilás, serão ofertados serviços como atendimento psicológico, orientação social, cursos profissionalizantes e ações de cuidado pessoal, encerrando a programação especial do Mês da Mulher no município.






