
O jovem, de 24 anos, que se apresentou à Polícia Civil nesta segunda-feira (6), confessando que golpeou a motorista de aplicativo Audineth Aguiar, 44 anos, alegou que “ouviu vozes” antes de cometer o crime. Ela foi esfaqueada 15 vezes durante uma corrida em maio deste ano. Após a agressão, a vítima gravou pedido de socorro e enviou a amigas. Escute o áudio acima.
Após o depoimento, o suspeito foi liberado pela polícia. Conforme o delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos (Defurv), Roberto Guimarães, um novo pedido de prisão já foi solicitado. O suspeito também tem mais de cinco ocorrências registradas anteriormente por importunação sexual contra mulheres, segundo a polícia.
Conforme o homem, Audineth foi a primeira vítima dele. Anteriormente, o crime estava sendo investigado como tentativa de latrocínio. Porém, como o suspeito confessou que não tinha o interesse de roubar a vítima, o caso passará a ser tratado como tentativa de homicídio.
Até que outro pedido de prisão seja concedido, o homem será monitorado pela polícia.
Mesmo ferida e assustada, Audineth conseguiu dirigir por alguns metros e acionou o socorro por meio de um sistema de gravação utilizado por motoristas de aplicativo. Pela gravação é possível identificar os momentos de desespero.
“Eu tô cortada, eu tô morrendo. Me furou toda de faca. Olha aí, olha onde eu tô. Moço, me socorre, eu fui assaltada, ele me furou toda de faca. Sou Uber [a vítima usou como sinônimo de motorista de app] e tô toda furada, me ajuda a chegar até o posto”, diz a motorista na gravação.
Pesadelo constante
Ainda com ferimentos e pontos em diversas partes do corpo, a vítima tenta esquecer os momentos de terror que viveu ao ser atacada. Veja o vídeo abaixo.
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Relembre o caso
De acordo com o registro policial, a motorista teria pegado um passageiro na Rua Internacional, no Jardim São Conrado, com destino à Avenida Filinto Muller. Quando a vítima estava chegando próximo ao destino, o autor teria pegado uma faca e começou a desferir vários golpes na vítima.
“Fecho o olho e vejo ele me atacando com a faca, não esperava aquilo nunca. Sempre fico me perguntando o que fiz de errado para ser atacada daquele jeito. Não consigo entender o porque ele fez aquilo, não tem explicação”, disse
Devido ao tempo que precisa ficar em repouso, a motorista passou a alugar seu veículo de trabalho para um colega de profissão. Mesmo com todo o trauma, a vítima pretende voltar a trabalhar com as ‘caronas amigas’, visto que essa é sua única fonte de renda.
“A única renda que tenho é como motorista de aplicativo, como o carro estava parado, passei a alugar para um amigo que também trabalha como motorista. Eu não tenho a opção de não voltar, essa é a única renda que tenho e preciso manter a casa”.
“Às vezes fico pensando de não ter pego aquela corrida, essas dúvidas ficam rondando a minha cabeça. Quase cinco anos de trabalho, carreguei muita gente boa, pessoas solidárias e outras nem tanto, mas nunca fui atacada, o que aconteceu foi muito sério”, finaliza.






