SEDENTO POR PODER: suplente de Alan Rick no Senado, Gemil Jr diz que Chicão se vendeu para o sistema após se unir com Zé Luiz para apoiar Mailza: “Que vergonha!”

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A política no interior do Acre registrou um novo episódio de tensão após declarações de Gemil Júnior, primeiro suplente do senador e candidato ao governo Alan Rick (Republicanos). Ele criticou publicamente o ex-candidato a prefeito de Mâncio Lima, Chicão da Distribuidora (MDB), por se aproximar do grupo político liderado pela governadora Mailza Assis (PP).

A insatisfação de Gemil veio a público por meio de comentários no perfil do Instagram Mâncio Lima em Foco. O estopim foi a divulgação de um vídeo em que Chicão aparece ao lado do prefeito Zé Luiz (PP) declarando apoio à chapa encabeçada por Mailza, que tem como candidata a vice-governadora a ex-deputada Jéssica Sales (MDB).

No pleito municipal de 2024, Chicão da Distribuidora perdeu a disputa para a prefeitura de Mâncio Lima por uma diferença de apenas 157 votos, após alcançar quase 6 mil votos.

As declarações do suplente

Ao comentar a publicação, Gemil classificou a aliança de Chicão como uma atitude lamentável. Na visão dele, o emedebista estaria se rendendo à estrutura governamental que atuou diretamente contra sua candidatura na eleição anterior.

Ele afirmou que o grupo do qual Chicão agora se aproxima utilizou a máquina pública e volumosos recursos financeiros para reverter um resultado que, segundo ele, apontava para a vitória do empresário em 2024. O suplente ressaltou sua relação pessoal de amizade com o mdbista , mas enfatizou que não poderia concordar com a decisão de se juntar aos antigos adversários.

Sede de poder e a hipocrisia sobre o “sistema”

A postura inflamada de Gemil Júnior, contudo, escancara uma contradição gritante e uma indisfarçável sede de poder. Ao atacar o que chama de “sistema” a engrenagem que controla o orçamento, as indicações e a máquina pública, o suplente tenta vestir a roupagem de moralista, mas esconde que seu único objetivo é assumir o controle dessa mesma estrutura.

O discurso do suplente evoca o célebre ensinamento do educador e filósofo Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. No xadrez político acreano, Gemil adota exatamente essa lógica. O ataque ao grupo governista não nasce do desejo de mudar as práticas da política, mas sim da frustração por não estar, no momento, no topo de onde elas são comandadas.

Com Alan Rick na disputa pelo Palácio Rio Branco, uma eventual vitória alçaria Gemil diretamente ao Senado. Nesse cenário, o crítico ferrenho de hoje se tornaria a própria personificação do “sistema” que agora finge combater. A fúria do suplente contra as alianças alheias revela que sua indignação não é com os métodos da política, mas com o fato de ainda não ser ele a dar as cartas.