PF prende MC Ryan e Poze do Rodo em operação contra lavagem de dinheiro

Os cantores MC Ryan e Poze do Rodo foram presos hoje, durante operação da Polícia Federal que investiga uma suposta organização criminosa que movimentou R$ 1,6 bilhão.

Ao todo, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões, em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal, segundo a PF.

A PF também apreendeu joias, relógios de luxo e carros importados.

Outro lado: A defesa de Poze do Rodo (cujo nome é Marlon Brandon Silva) disse que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão”. “Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, afirmou o advogado Fernando Henrique Cardoso.

A reportagem tenta contato com a defesa de MC Ryan, e o texto será atualizado.

A investigação

MC Ryan é apontado pela PF como líder e beneficiário econômico da engrenagem criminosa investigada.

Segundo a apuração, ele se valia de empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

Para blindar seu patrimônio das investigações, segundo a PF, transferiu a participação em empresas para familiares e operadores financeiros.

Além disso, diz a PF, como forma de lavar o dinheiro obtido de forma ilegal, ele comprava imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.

Já Poze do Rodo, segundo a investigação, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos das rifas digitais e apostas.

A “Operação Narcofluxo”

A ação dos policiais foi autorizada pela Justiça Federal em Santos e tem o apoio da FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Segundo informou a PF, a operação “decorre de desdobramentos de apurações anteriores que identificaram a atuação do grupo em esquemas de lavagem de capitais”.

A suspeita é que o grupo se valia, ainda conforme a PF, de um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos.

Parte da movimentação bilionária estava relacionada a atividades empresariais e artísticas.

“Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento”, diz a PF.