Idoso lamenta preço alto do peixe e recorda tradições antigas da Semana Santa em Cruzeiro do Sul

Aos 72 anos, o morador Luiz Nascimento não esconde a frustração ao falar sobre a Semana Santa deste ano. O que antes era uma tradição garantida na mesa da família agora se tornou um desafio por causa dos preços elevados do pescado.

“Peixe não está podendo comer, não. O preço está exorbitante. Tambaqui a 45 reais, jundiá, traíra a 20. Não tem como todo mundo ter peixe na mesa”, desabafou seu Luiz durante conversa com a reportagem do Juruá24horas no Mercado do Peixe.

Ele conta que sempre seguiu o costume de comer peixe na quinta e sexta-feira santa, mas este ano a realidade mudou. “Tem gente que não tem e, quando compra, às vezes vem estragado”, completou.

Sobre a infância, Luiz Nascimento relembra um período bem diferente: “Era muito fácil. O pessoal que ia mariscar dava esmola pros outros. O peixe tinha preço, mas dava pra todo mundo”. Ele também recordou antigas proibições: “Antigamente ninguém varria a casa, nem tomava banho direito. Dizia que quem tomava banho criava escama. Comia doce e doía a barriga. Hoje quase ninguém faz mais isso. Tá tudo no quebra. Hoje é movimento, é venda, o pessoal trabalhando até amanhã ao meio-dia”.