Em Cruzeiro do Sul, menina de cinco anos demora a tomar café da manhã e é agredida com cinturão pelo pai

O Conselho Tutelar recebeu, por meio de uma denúncia anônima, na última quinta-feira, o caso de uma criança de apenas 5 anos que foi agredida com extrema violência na zona urbana de Cruzeiro do Sul. A DEMPCA tomou conhecimento do caso e iniciou a investigação da situação.

Segundo informações, a criança chegou na escola chorando e com vários hematomas espalhados pelo braço e pelo rosto, região da orelha. O próprio pai afirmou para a professora que o motivo do choro era porque a menina estava demorando demais para tomar o café da manhã e ele “deu uma lição”, batendo com um cinto.

Suspeita-se que a fivela do cinto bateu na região da orelha da criança, deixando marcas de cor roxa no corpo da menina. O pai alega que o ato foi apenas para discipliná-la. Na escola, o pai chegou a se emocionar e admitiu que exagerou no castigo da menina. A mãe não reportou qualquer situação.

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Renan Santana, em nenhum momento os pais decidiram acordar mais cedo ou tomar outras providências para evitar o tipo de atraso pela manhã. A menina foi ouvida pela psicóloga da delegacia. Segundo relatos da criança, naquela manhã o café era pão, por isso ela demorou a comer. Ela disse também que quando o café da manhã é banana, ela consegue comer mais rápido. A criança também relatou que todos os dias tem que comer o café da manhã rápido para não apanhar.

Pela análise da criança, foi percebido que ela possui um comportamento retraído e temeroso. A mãe possui um comportamento passivo e o pai alegou que ela apanha pelo menos uma vez por semana.

No ato de violência, foi relatado que o pai, antes de bater na criança, fez ameaças segurando o cinto. Ameaças, pressões e “surras” faziam parte da rotina da menina.

Diante da situação emocional da menina, a Justiça encaminhou o caso com urgência ao CREAS. Foi determinado que uma medida protetiva baseada na lei de garantia na integridade física da vítima entrará em vigor para ela ter acompanhamento nutricional e psicológico com frequência.

A mãe vai responder na justiça por omissão e o pai vai responder por constrangimento e agressão física na criança. Ambos são servidores públicos.