
Manaus – O cenário de um dos maiores cartões-postais do Amazonas, o Encontro das Águas, foi palco de uma tragédia que comoveu o estado na tarde desta sexta-feira (13). Entre os relatos de desespero do naufrágio de uma lancha a jato, uma história de sacrifício extremo se destaca: a de Poliana Oliveira, que em seus últimos instantes de lucidez e coragem, garantiu a sobrevivência do filho de 16 anos.
O Ato de Amor Segundo testemunhas e familiares, no momento em que a embarcação começou a submergir, Poliana tomou uma decisão de mãe: retirou o próprio colete salva-vidas e o colocou no filho, João, de 16 anos. O jovem foi um dos 70 sobreviventes resgatados com vida, mas Poliana acabou sendo levada pela força do rio. Núbia Lima da Silva, cunhada da vítima, descreveu o momento angustiante: “Ela tentou subir no barco no momento do resgate, mas acabou escorregando e afundou sob a embarcação. Desde então, não tivemos mais notícias dela nem do marido”, lamentou.
Denúncias de Imprudência A revolta dos familiares marca as buscas pelos sete desaparecidos. Relatos colhidos durante uma coletiva de imprensa no Porto de Manaus indicam que o acidente teria sido provocado por uma disputa de velocidade.
Passageiros afirmam que o comandante da lancha estava competindo com outra embarcação e ignorou os gritos de socorro dos ocupantes que pediam para reduzir a velocidade. Justiça: “Quem dirigia sabia das crianças, dos idosos e das mulheres, e mesmo assim agiu com imprudência”, afirmou Núbia.
O comandante da lancha foi conduzido ao 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP) para prestar esclarecimentos e deve responder pelas circunstâncias do acidente. Buscas Continuam Até o momento, os órgãos de segurança confirmam duas mortes e seguem à procura dos desaparecidos, entre eles Poliana e um homem identificado como Sr. Almeida.
O gesto de Poliana Oliveira já se tornou um símbolo de coragem absoluta no Amazonas. Em meio ao caos de um naufrágio provocado pela irresponsabilidade, o amor de uma mãe que colocou a vida do filho acima da própria vida é a única luz que resta para a família neste momento de luto e espera. Que essa história de heroísmo nunca seja esquecida.






