Primeira sessão tem surpresa, “balde de água fria”, disco repetido e base querendo ‘um lugar ao sol’

A abertura dos trabalhos na Câmara Municipal de Mâncio Lima costuma ser cercada de ritos e protocolos, mas a sessão inaugural de 2026 trouxe um componente extra: a expectativa de quem já se via ocupando um novo espaço. O suplente Dazim (PP) vivia o “aquecimento” para assumir uma vaga no Legislativo, após a possibilidade da sua correligionária Jaluza do Val se ausentar pós gravidez ganhar força.

Nos bastidores, o caminho parecia pavimentado para o empresário. Havia quem dissesse que os paletós já estavam sendo preparados.

ELA NÃO VAI NÃO

Ao subir à tribuna, Jaluza do Val encerrou as especulações, ao anunciar que mesmo diante da maternidade, não se afastará de suas funções, a vereadora lançou um verdadeiro balde de água. A decisão da parlamentar, embora um direito pessoal e político, melou os planos de alguns nomes da base partidária, deixando o primeiro suplente e outros interessados na fila de espera.

Para Medeiros, resta o “banco de reservas” de um partido que, embora gigante no Acre e sob a batuta do prefeito Zé Luiz, e de Gladson, precisa agora recalcular como manter sua base satisfeita sem a vacância esperada em um ano eleitoral, onde um nome que perdeu sua cadeira por apenas 30 votos tem muito a somar.

DISCO REPETIDO

Outro fenômeno chamou a atenção no plenário: a homogeneidade dos discursos. Um após o outro, os parlamentares entoaram o mantra da “união entre os Poderes”. No papel, a harmonia entre Executivo e Legislativo é o sonho de qualquer democracia. Todavia, quando vereadores e prefeitura falam a mesma língua com tanta perfeição, a linha que separa a cooperação institucional da conveniência política se torna perigosamente tênue.

A população assiste a um espetáculo de cordialidade mútua entre os políticos. É um cenário onde todos parecem ganhar, exceto, talvez, o cidadão que espera que essa “união” se transforme em algo além de apertos de mãos e discursos protocolares.