
Nos bastidores da política acreana, a possibilidade de uma aliança entre o governador Gladson Cameli (PP) e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL) começa a ganhar espaço nas análises de lideranças partidárias e observadores do cenário eleitoral de 2026. A articulação, ainda tratada como hipótese, surge diante de um eventual cenário em que a pré-candidatura da vice-governadora Mailza Assis (PP) não apresente crescimento consistente nas pesquisas de intenção de voto ao longo dos próximos meses.
Bocalom, que já se posiciona como pré-candidato ao Governo do Estado, desponta como uma alternativa viável dentro do campo conservador e poderia representar uma saída estratégica para Cameli manter influência direta na sucessão estadual, caso o nome apoiado inicialmente não consiga se firmar junto ao eleitorado. Uma composição entre ambos também teria o efeito colateral de evitar fragmentações internas na base governista e reduzir disputas entre aliados históricos, algo que costuma enfraquecer projetos de continuidade administrativa.
Nesse tabuleiro, um dos atores que poderia colher dividendos políticos de uma definição antecipada é o senador Márcio Bittar (União Brasil). Uma eventual união entre Cameli e Bocalom eliminaria o risco de o parlamentar permanecer em posição indefinida sobre qual candidatura apoiar — movimento que, em períodos eleitorais, costuma gerar desgaste entre correligionários e eleitores.
Nos bastidores, ainda circula a leitura de que uma possível dobradinha ao Senado entre Bittar e Gladson Cameli, caso o governador opte por disputar vaga na Casa Alta, seria vista como um arranjo eleitoralmente confortável para a estratégia de reeleição do senador, somando estruturas e transferências de capital político.
Em paralelo, o senador Alan Rick (União Brasil) adota postura cautelosa. Mesmo figurando bem em levantamentos preliminares, ele tem evitado declarações enfáticas sobre 2026 e priorizado agendas institucionais e divulgação de ações parlamentares. Analistas interpretam o silêncio estratégico como tentativa de preservar musculatura política e evitar o desgaste precoce que atinge candidaturas lançadas com muita antecedência, especialmente em um cenário ainda volátil.
Outro nome que aparece no debate é o do médico Thor Dantas, identificado com um discurso de renovação e idealismo político. Embora ainda distante dos polos centrais de competitividade, ele conquista simpatia de setores que se posicionam em oposição às forças tradicionais da direita no estado, funcionando mais como elemento de contraponto e pressão ideológica do que como candidatura consolidada neste momento.
Ainda no início efetivo das definições partidárias, o cenário segue aberto, sujeito a rearranjos e movimentos de conveniência. Até abril — período considerado decisivo para filiações, federações e alinhamentos — a política acreana deve assistir a novas composições e reposicionamentos. Como em toda pré-temporada eleitoral, alianças improváveis podem ganhar corpo e projetos aparentemente sólidos podem perder fôlego, redesenhando o tabuleiro de 2026 capítulo a capítulo.






