
Declaração do prefeito ao podcast do ContilNet expõe divisão na base e obriga Gladson a arbitrar a escolha do nome para 2026
A entrevista de Tião Bocalom ao Em Cena, podcast do ContilNet, reorganizou as atenções dentro do grupo governista. Pela primeira vez, desde o início das especulações, o prefeito afirmou abertamente que sua candidatura ao governo em 2026 está encaminhada. Ele destacou as viagens pelo interior e deixou claro que só deixa a prefeitura se for para disputar o Palácio Rio Branco.
A fala cria um novo problema político. Se Bocalom quer ser candidato e a vice-governadora Mailza Assis também já anunciou que pretende concorrer, e os dois pertencem ao mesmo grupo, quem será o nome oficial da base. Essa decisão recai diretamente sobre o governador Gladson Cameli, que deixará o cargo em abril para concorrer ao Senado e entregará a gestão justamente a Mailza, candidata declarada à continuidade do projeto atual.
O fato é que o governador terá de lidar com esse abacaxi antes de deixar o cargo e, no momento, parece um dos mais difíceis de resolver/Foto: Sérgio Vale
O governador, no entanto, também já disse que pretende levar todo o grupo unido para 2026. E aí surge o dilema. De um lado, a vice assumindo o governo e buscando se fortalecer. Do outro, o prefeito da capital animado com sua movimentação política e com a recepção que acredita ter no interior.
É inevitável: há mais gente querendo ser candidata do que espaço disponível. Se Gladson não arbitrar esse conflito cedo, a disputa interna tende a se intensificar. A solução exigirá habilidade, porque qualquer escolha desagrada uma parte importante da base.
Como ele pretende conduzir essa negociação, ninguém sabe. O fato é que o governador terá de lidar com esse abacaxi antes de deixar o cargo e, no momento, parece um dos mais difíceis de resolver.
Quando a pesquisa, em vez de pacificar, complica ainda mais
Em situações como a disputa entre Mailza Assis e Tião Bocalom, a saída tradicional para acalmar os ânimos costuma ser recorrer às pesquisas eleitorais. Normalmente, elas ajudam o grupo a identificar quem tem mais condições de liderar a chapa e evitam conflitos prolongados.
Nesse caso, porém, o efeito tem sido o oposto. As sondagens mais recentes mostram Bocalom sempre bem posicionado, firme na segunda colocação. Já Mailza foi quem mais cresceu nos últimos meses e, embora apareça em terceiro, está praticamente empatada com o prefeito.
Ou seja, a pesquisa que deveria orientar também embaralha.
MDB tentou emplacar
Na articulação para fechar a chapa de Mailza Assis, o MDB chegou a sondar o ex-prefeito Marcus Alexandre para a vaga de vice. A proposta não avançou.
O ex-prefeito tem outro objetivo para 2026: disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Internamente, há consenso de que ele tem condições de liderar a votação no próximo ano.
A decisão também passa pelo histórico recente. Em 2022, quando ainda estava no PT, Marcus tinha planejado concorrer à Aleac. Acabou mudando de rota nos acréscimos para ser vice de Jorge Viana. O resultado todos conhecem, derrota no primeiro turno, e a sensação de que não deveria ter abandonado o plano original.
Agora, ele quer evitar repetir aquele movimento. A prioridade é a Assembleia, e o MDB terá de buscar outro nome para compor a chapa de Mailza.
A lista do glorioso
Mesmo sem Marcus Alexandre na disputa pela vaga de vice, o MDB ainda dispõe de outros nomes que poderiam compor a chapa de Mailza Assis. Entre as possibilidades estão a ex-deputada federal Jéssica Sales, o advogado Leonardo Melo, filho do ex-governador Flaviano Melo, e o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales, que atualmente preside o partido.
O problema é outro. Não há clareza sobre a recepção desses nomes por parte de Mailza ou do Palácio. A sigla tem opções, mas falta saber se alguma delas se encaixa no projeto político que o grupo governista pretende montar para 2026.
Vereadores cassados pelo TRE vão ao TSE em busca de reverter decisão
Os três vereadores do PL cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral — Tom Cabeleireiro, Ivoneide Bernardino e Antônio Andrade, o Real — decidiram levar o caso a Brasília. Eles vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, a instância máxima da Justiça Eleitoral, para tentar recuperar os mandatos.
A avaliação entre aliados é de que a revisão é necessária. Os três foram bem votados no município e, em qualquer cenário, o voto precisa ser respeitado.
A possível saída deles muda o funcionamento da Câmara. Ivoneide, por exemplo, exerce uma atuação firme no parlamento. Quando uma liderança ativa como a dela deixa o mandato, quem perde é a população e a própria democracia.
Lista de pré-candidatos ao Senado cresce e ganha novo nome
A corrida pelo Senado em 2026 ficou ainda mais cheia. O professor Inácio Moreira anunciou que pretende disputar a vaga pela Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva. A entrada dele amplia o leque de pré-candidatos e deixa o cenário mais concorrido.
Com a nova movimentação, o grupo de nomes colocados até agora inclui Gladson Cameli pelo PP, Márcio Bittar pelo PL, Sérgio Petecão pelo PSD, Mara Rocha pelo Republicanos, Eduardo Velloso pelo União Brasil e Jorge Viana pelo PT, além de Inácio Moreira pela Rede.
A disputa promete ser uma das mais acirradas do próximo ano, com partidos relevantes apostando em figuras já conhecidas do eleitorado.
A polêmica da semana e a última pá na cova do mandato da pastora
A semana foi marcada por mais um episódio envolvendo a deputada federal Antônia Lúcia. Em publicações nas redes sociais, ela acusou o marido, o também deputado Silas Câmara, de traição. No ataque público, expôs detalhes da vida do casal e até mencionou a própria filha, Gabriela, que preside o Iteracre.
O comportamento, que já vinha chamando atenção em outras ocasiões, ganhou proporções ainda maiores desta vez. Para aliados e observadores da política acreana, este pode ter sido o ponto final do mandato de Antônia Lúcia, que dificilmente retornará ao Congresso depois de tantos episódios desgastantes.
Não é a primeira vez que a deputada se envolve em situações do tipo. Meses atrás, em meio a uma discussão, ela chegou a dizer à deputada Socorro Neri: “se enforca”, comentário que gerou forte repercussão negativa.
A nova crise confirma uma trajetória marcada por sucessivas polêmicas e que, ao que tudo indica, encerra de antemão as chances de reeleição da pastora.






