
Fabiana Augusta da Silva, uma mulher de 32 anos, compartilha sua história de vida marcada por um sonho destruído pelas drogas. Quando criança, ela sonhava em se tornar médica, mas um passo errado aos 13 anos a levou para o mundo das drogas, do qual ela não conseguiu mais sair. “Eu tinha 13 anos quando uma pessoa que morava na casa da minha mãe me ofereceu e experimentei pela primeira vez a droga. Depois daí nunca mais consegui deixar e a minha vida foi só piorando”, lamentou.
Há 19 anos, Fabiana Augusta vive nas ruas de Cruzeiro do Sul. Atualmente, ela passa as noites com outras cinco pessoas em um prédio abandonado no centro da cidade. Órfã de pai e mãe, ela mantém contato com um irmão gêmeo que mora na capital, Rio Branco. “Quando eu estudava tinha um sonho de ser médica, mas hoje, assim mesmo na rua eu ajudo as outras pessoas. Quando o pessoal do CAPS vai lá no prédio eu peço para eles deixarem soro, curativo e outras coisas, aí quando aparece algum morador de rua machucado eu limpo e cuido, depois eles me agradecem”, contou.
Apesar de ser comunicativa e ter um bom senso de humor, Fabiana confessa estar cansada da vida que vem levando há mais de uma década. “Não é fácil sair dessa vida, não acontece da noite para o dia. Já tentei e não consegui. É realmente muito difícil. É uma vida de humilhação. Muitas vezes penso em desistir, mas penso em Deus e peço que ele me ajude. Sei que Deus tem um propósito, uma missão para mim, mas ele sabe que eu estou cansada, não aguento mais essa vida”, desabafa.
Infelizmente, a história de Fabiana Augusta da Silva não é um caso isolado. Dezenas de pessoas vivem em situação semelhante no centro de Cruzeiro do Sul, enfrentando os desafios e dificuldades impostos pela falta de moradia e pela dependência química.
“Tem aumentado bastante o número de pessoas. No cais, por exemplo, mais que triplicou. As cinco horas da manhã é triste ver a quantidade de moradores de rua que ficam lá. Mas são pessoas gente boa, são que erraram, mas agora precisam de ajuda, de muita ajuda”, disse o vendedor Franecir Silva.
O problema das pessoas em situação de rua é uma realidade que demanda atenção das autoridades e da sociedade como um todo. É essencial que sejam implementadas políticas públicas efetivas para lidar com essa questão complexa, oferecendo abrigo, tratamento e oportunidades de reinserção social para essas pessoas vulneráveis.
Enquanto Fabiana luta diariamente para sobreviver nas ruas e enfrentar seus próprios demônios, é necessário um esforço conjunto para garantir que histórias como a dela encontrem um final mais esperançoso e digno. A superação das dificuldades e a restauração da esperança são metas que devem ser perseguidas incansavelmente em prol de uma sociedade mais justa e acolhedora.







