
O sistema eleitoral brasileiro ainda não permite candidaturas avulsas e a filiação a um partido político é uma condição para a elegibilidade. Em resumo, um partido é uma entidade construída com base em algum espectro ideológico que age dentro da Constituição para estar em sintonia com os interesses de um grupo de pessoas.
Os partidos são importantes para dar um direcionamento ideológico às ideias de um candidato. Não existe um que seja igual ao outro, cada qual tem sua peculiaridade, motivo para ter sido fundado e representa um nicho de ideia. Infelizmente, muitas vezes o viés ideológico de um partido é ignorado e muitas filiações ocorrem por conveniência, sem o compromisso com sua construção e o que ele representa.
Quando isso ocorre, temos a chamada “infidelidade partidária”, que pode causar perda de mandato ou a expulsão da sigla. Essa última medida foi ameaçada pelo senador licenciado Sérgio Petecão, do PSD, que junto a outros dirigentes do partido, elaborou uma lista com os nomes de um prefeito e quatro vices em todo o estado apontados como “infiéis” ao partido.
De acordo com uma lista a que o blog teve acesso, são eles o prefeito de Plácido de Castro, Camilo Silva; e os vice-prefeitos de Cruzeiro do Sul, Henrique Afonso; de Tarauacá, Raimundo Maranguapi; de Feijó, Elson José; e o de Senador Guiomard, Ney Rabelo. Além dos mandatários do executivo, a lista também engloba alguns vereadores, pela mesma razão.
Em termo de transparência política, a atitude tomada por Petecão pode ser considerada louvável. As eleições deste ano foram marcadas por uma série de polêmicas envolvendo alianças que se romperam durante a campanha e candidaturas que visavam apenas o quociente partidário. Os partidos se organizaram durante os últimos 4 anos para a disputa e viram muitos de seus candidatos decidirem caminhar por conta própria.
A expulsão da sigla não é novidade na política, no Acre, houve em 2018 o caso do PDT com o deputado Heitor Júnior, que por não ter andado ideologicamente alinhado com a sigla, teve que deixá-la naquele ano, se filiando ao Podemos. Se os partidos começarem a “garimpar” os infiéis partidários, tal qual foi feito nesse caso, a tendência é que o processo eleitoral passe a ser mais justo e democrático.
Além disso, atitudes como essa são necessárias para garantir ordem nas eleições. Não deveria ser comum ver filiados de um partido ignorando outros nomes da própria sigla e apoiando outros. Como o recente caso do prefeito Tião Bocalom, que é do Progressistas, mas rejeitou apoio à “chapa pura” de seu partido que trazia Gladson Cameli e Mailza Gomes na disputa, contrário disso, apoiou Sérgio Petecão. Para o Senado, Bocalom também decidiu ignorar a recomendação partidária e declarou apoio para Márcia Bittar, do PL. Gladson também ignorou apoio a Bocalom nas eleições de 2020, mas na época, eram fortes os rumores de que deixaria a sigla, chegando até a pedir afastamento das atividades partidárias. Por fim, acabou convencido a permanecer nele.
O senador licenciado Marcio Bittar também ameaçou com infidelidade partidária o agora eleito senador Alan Rick, caso este insistisse em tentar ser candidato a vice de Gladson. Bittar, que é presidente regional do União Brasil – oriundo da fusão entre DEM e PSL – também ignorou apoio à candidata a presidente do partido, Soraya Thronicke, apoiando Jair Bolsonaro, do PL. O mesmo aconteceu em 2018, quando era do MDB e recusou apoio a Henrique Meirelles.






