ABSURDO: preço de gás de cozinha chega a R$ 125 em Marechal Thaumaturgo

O botijão de 13 quilos do gás de cozinha está sendo vendido a R$ 125 na cidade de Marechal Thaumaturgo, distante 559 km de Rio Branco. O município, com pouco mais de 19 mil habitantes, é um dos quatro isolados do estado e tem o rio como sua principal via de acesso.

O empresário Jonisson Pereira da Silva explicou que valor cobrado leva em consideração toda a logística para a mercadoria chegar até o município e afirma que lucro não chega nem a R$ 5 por unidade.

“No meu caso, compro gás que vem de Rio Branco, toda a logística até chegar em Marechal é por minha conta. Pago uma carreta para levar da capital para Cruzeiro do Sul, quando chega lá, pago para descarregar a carreta para embarcar na balsa e também o frete da balsa até Marechal Thaumaturgo. Quando chega aqui, pago para retirar o gás, colocar no depósito e para entregar”, explicou o empresário.

Silva acrescentou que ao final de toda logística, o gás sai para ele a cerca de R$ 120. Ele disse ainda que alguns pontos de venda clandestinos na cidade chegam a cobrar até R$ 130 pelo botijão de 13 kg e ainda têm mais lucro, uma vez que não são regularizados e, com isso, deixam de pagar impostos e outras taxas. Por conta disso, o empresário cobra fiscalização por parte dos órgãos de controle.

“Não tem fiscalização e precisa acabar com essa venda clandestina. É uma covardia do Estado deixar um município como Marechal Thaumaturgo isolado para ter só acesso a barco. No verão, são até 15 dias que o barco de 8 a 10 toneladas, às vezes, gasta para chegar no município, porque o rio seca e complica ainda mais. É complicado, às vezes as pessoas falam que o preço está abusivo, mas não sabe quanto estamos gastando.”

Outro comerciante que vende gás de cozinha na cidade é o Cleiton Furtado. Assim como Silva, ele diz que a margem de lucro é baixíssima uma vez que a carga sai de Cruzeiro do Sul a R$ 105 e é acrescido R$ 10 por botija para o frete de barco até o município de Marechal Thaumaturgo.

“Está nesse preço de R$ 125 há uns três meses e antes disso estava saindo a R$ 95. Hoje estou vendendo em média de 300 a 400 botijas por mês, mas já cheguei a vender até mil por mês, quando trabalhava com preço mais baixo. Até já parei por um tempo as vendas, porque estava só trocando dinheiro, mas acabei voltando”, disse Furtado.

A moradora Aparecida Marques, de 54 anos, que trabalha como técnica de enfermagem e mora com outras cinco pessoas, disse que tudo é mais caro na cidade e que quando precisa comprar gás, acaba deixando de pagar outras contas.

“Tem canto que você compra de R$ 125 e tem até de R$ 130. É o jeito comprar, não tem de onde tirar, lenha é difícil ir buscar na mata. Então, é dar um jeito e deixa de pagar uma conta aqui para comprar o gás. Aqui em casa, se não fizer bolo, dura um mês e 15 dias uma botija, mas se fizer, só dá um mês mesmo e mal”, contou a moradora.

Assim como o gás de cozinha, o preço do litro da gasolina também é um dos mais altos na cidade de Marechal Thaumaturgo, e chega a R$ 8,40.

 

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